Donato e o Municipal na Virada Cultural
8 Maio 2007
Depois que o PCC afugentou os paulistanos em 2006, a Prefeitura elaborou uma excelente programação para sua Virada Cultural de 2007, com um destaque fodido: o Teatro Municipal receberia, durante a madrugada, artistas tocando na íntegra discos clássicos da MPB.

Foi lá que João Donato, o cara mais sofisticado da bossa nova que você não conhece, foi tocar, mais ou menos inteiro, seu “A Bad Donato”, de 1970. O show começava às 21h e, cinqüenta minutos antes, a fila estava na face direita do teatro -percorri seus quatro lados até chegar à porta.
A entrada foi rápida e, sinceramente, puta coisa bonita (e apertada, por dentro) que é aquele teatro durante a noite. Fiquei no último andar, já que uma cambada bem mais esperta que eu chegou cedo pra pegar a platéia da frente.

E daí? Donato entrou poser, com capuz e óculos escuros. A banda era a mesma que tocou no Auditório Ibirapuera, mas nada de “A Bad Donato” na íntegra. No show, Donato mostrou como transformou o chopp aguado da bossa nova em jazz lisérgico brasileiro.
As introduções eram as mesmas, com cada música solando por longos minutos até que a entrada fosse reproduzida para finalizar a canção – jazz, ué.
O vídeo abaixo (opa, vou receber carta de “cease-and-desist”?) é de Mosquito, a mais fodida do disco, e se estende até o belíssimo solo de trombone do Bocatto.
Poupei sua paciência para o solo poser de Donatinho, o filho do pianista. Donato desempenhou muito bem papéis como música, ritmista, arranjador e instrumentista, mas falhou como pai: Donatinho toca pouco (fica mais plugando cabos), coloca texturas eventuais nas músicas, faz poses na frente do palco e ainda fica abrançando músicos após solos comose dissesse “tá certo, um dia você chega lá”.
Não rolaram todas as músicas e ainda teve inéditas – “Black Orchid”, de um compositor finlandês (dinamarquês?) que Donato mastigou o nome. Sem problema.
Update: Nos comentários, Menotti, que também desceu o pau em Donatinho no seu Atonal, replica nos comentários que “Black Orchid” é do arranjador latino de jazz Cal Tjader. Bebi então.
O show foi antológico pela mistura entre a ótima música tocada por músicos excepcionais e pelo lugar e o horário – saímos do Municipal às 22h00, enquanto uma fila gigantesca para ver João Bosco (URGH!!!) se desdobrava até a estação Anhangabaú do metrô.

Uma passada no Estadão para um pernil com provolone, Clube do Balanço chamando Erasmo Carlos para uma ótima jam e um copo de quentão (com muito gengibre e pouco álcool) fecharam a noite.

Não vi a milonga no Mercadão (puta idéia sensacional!) nem os Racionais (uma pena mesmo). Pena.
Guilherme Felitti é jornalista e escreve profissionalmente no site
















9 Maio 2007 at 20217 am
Felitti, rapaz, só para constar: “Black Orchid” é um tema clássico do Cal Tjader, um músico animal de jazz latino. Só que, até onde sei, o cara nasceu nos Estados Unidos… rs. Postei lá no blog, depois vai ver. Abraços!
14 Maio 2007 at 111125 pm
Invejei, invejei. Passei em frente ao Municipal faltando meia hora para começar o show. Vi a fila e desisti.
24 Maio 2007 at 111105 pm
Ih, Inagaki, eu entrei na fila faltando 40 minutos pro show. Muitas das pessoas na fila estavam esperando o Bosco – no fim, elas ficavam paradas, enquanto a gente avançava pro Teatro.
Corrigido, seu Menotti. Valeu!