ganhando pra trocar IE pelo firefox
6 Setembro 2007

Sabe aquela história do Firefox ganhar mercado baseado na brodagem da Mozilla com outras empresas/usuários? Taí outro exemplo – o Pingdom oferece um ano de graça pra quem trocar o IE pelo Firefox.
Valencia: fechando com chave de merda
31 Julho 2007
Notícia triste pra fechar a excursão a Valência. O baterista dos Replicantes e diretor de cinema Carlos Gerbase teve a câmera e todas as filmagens que fez durante a Campus Party roubadas após o check-in no aeroporto de Madrid.
Segundo ele e Luciana Tomasi, sua mulher, a ação foi profissional – num piscar de olhos após o pedido de indicação de um portão, a mala já tinha ido.
A câmera é cara, mas dá pena saber que todos (TODOS!) os 180 minutos filmados em solo español foram perdidos – e isto incluí entrevistas com o sempre tímido Marcelo Tosatti.
Uma pena do caralho.
Donato e o Municipal na Virada Cultural
8 Maio 2007
Depois que o PCC afugentou os paulistanos em 2006, a Prefeitura elaborou uma excelente programação para sua Virada Cultural de 2007, com um destaque fodido: o Teatro Municipal receberia, durante a madrugada, artistas tocando na íntegra discos clássicos da MPB.

Foi lá que João Donato, o cara mais sofisticado da bossa nova que você não conhece, foi tocar, mais ou menos inteiro, seu “A Bad Donato”, de 1970. O show começava às 21h e, cinqüenta minutos antes, a fila estava na face direita do teatro -percorri seus quatro lados até chegar à porta.
A entrada foi rápida e, sinceramente, puta coisa bonita (e apertada, por dentro) que é aquele teatro durante a noite. Fiquei no último andar, já que uma cambada bem mais esperta que eu chegou cedo pra pegar a platéia da frente.

E daí? Donato entrou poser, com capuz e óculos escuros. A banda era a mesma que tocou no Auditório Ibirapuera, mas nada de “A Bad Donato” na íntegra. No show, Donato mostrou como transformou o chopp aguado da bossa nova em jazz lisérgico brasileiro.
As introduções eram as mesmas, com cada música solando por longos minutos até que a entrada fosse reproduzida para finalizar a canção – jazz, ué.
O vídeo abaixo (opa, vou receber carta de “cease-and-desist”?) é de Mosquito, a mais fodida do disco, e se estende até o belíssimo solo de trombone do Bocatto.
Poupei sua paciência para o solo poser de Donatinho, o filho do pianista. Donato desempenhou muito bem papéis como música, ritmista, arranjador e instrumentista, mas falhou como pai: Donatinho toca pouco (fica mais plugando cabos), coloca texturas eventuais nas músicas, faz poses na frente do palco e ainda fica abrançando músicos após solos comose dissesse “tá certo, um dia você chega lá”.
Não rolaram todas as músicas e ainda teve inéditas – “Black Orchid”, de um compositor finlandês (dinamarquês?) que Donato mastigou o nome. Sem problema.
Update: Nos comentários, Menotti, que também desceu o pau em Donatinho no seu Atonal, replica nos comentários que “Black Orchid” é do arranjador latino de jazz Cal Tjader. Bebi então.
O show foi antológico pela mistura entre a ótima música tocada por músicos excepcionais e pelo lugar e o horário – saímos do Municipal às 22h00, enquanto uma fila gigantesca para ver João Bosco (URGH!!!) se desdobrava até a estação Anhangabaú do metrô.

Uma passada no Estadão para um pernil com provolone, Clube do Balanço chamando Erasmo Carlos para uma ótima jam e um copo de quentão (com muito gengibre e pouco álcool) fecharam a noite.

Não vi a milonga no Mercadão (puta idéia sensacional!) nem os Racionais (uma pena mesmo). Pena.
bem-vindo a 2007?
22 Fevereiro 2007
iPhone, YouTube bloqueado no Brasil, configuração do Notebook para Todos, lançamento mundial (e nacional) de um novo Windows (o Vista), TV ainda mais online pelo Joost, 100 milhões de celulares (PDF), Flickr e del.icio.us no Brasil, (suposto) primeiro computador quântico, Second Life dobrando de população em dois meses…
E nêgo ainda tem coragem de falar que 2007 só começa agora, depois do Carnaval? O ano começou quente. Vamoaí.
protegendo a proteção (ou a Microsoft não aprende)
13 Fevereiro 2007
Em junho de 2006, o favorito aqui do Chá David Pogue escreveu um artigo para o NYTimes sobre o lançamento do OneCare Live, antivírus da Microsoft.
Ácido e divertido, Pogue pergunta à queima-roupa: “Por que o usuário deveria comprar um software da Microsoft para proteger outro software da Microsoft?”. E segue:
Vale lembrar que os produtos da Microsoft são alvo tão freqüente de falhas de segurança, que a empresa se viu forçada a marcar um dia do mês apenas para divulgar correções – conhecido como Patch Tuesday.
Foram pouco mais de seis meses pra Microsoft provar a razão de Pogue. Nas primeiras atualizações após o lançamento do Vista, são seis os patches críticos, daqueles que, se explorados, trazem crackers pra dentro do teu PC.
Um deles é para o OneCare Live, exatamente o software que deveria proteger seu computador contra as falhas de software da Microsoft.
E pensar que Symantec, McAfee, Panda, Kaspersky, F-Secure e tantas outras chiaram quando a MS deu seus primeiros passos no setor…
2006: o ano de definições
4 Janeiro 2007
A maioria dos textos deste blog está atrasada- por que, então, também não estaria a retrospectiva de 2006? Vamulá.
*
2006 foi o ano em que os notebooks explodiram – literalmente.
Um gigantesco recall de baterias da Sony fez com que milhões de consumidores da Dell, Apple, Panasonic, Asus e da própria Sony procurassem assistências técnicas atrás de dispositivos que não corressem risco de explosão.
Explodiu também em 2006 o novo mercado de serviços online, liderado pela carreira meteórica do YouTube, com sua facilidade ultrajante para compartilhar e assistir vídeos online, impulsionada pelo fôlego interminável da banda larga lá fora e aqui dentro.
Mesmo com 20 meses de vida, foi o YouTube também que despertou dúvidas sobre a Bolha 2.0, após o onipresente (e, mais uma vez, nome de inovação do ano) Google pagar U$ 1,65 bilhão (!!) pelo site de vídeos.
O mercado de portáteis, por sua vez, não sentiu os efeitos e fechou 2006 com nada menos que 107% de crescimento nas vendas – mais até que o fôlego de 47% dos dektops, com uma (pequena) ajuda da atualização de hardware exigida pelo Windows Vista, que finalmente chegou, e uma (grande) força da queda de preços.
Ainda em mobilidade, 2006 viu o WiMax surgir comercialmente, com o investimento da Sprint nos EUA (enquanto, no Brasil, a Anatel começou a regular a freqüência para 3G, glória glória aleluia), e os PDAs entrarem em suas covas pela popularidade opressiva de smartphones, como Treos, iPAQs e BlackBerry.
Em 2006, o padrão japonês ISDB foi coroado como o preferido do Governo Brasileiro, enquanto o programa Computador para Todos teve seu primeiro ano de atuação irrestrita no país, com resultados dignos de aplausos.
Foram 146.442 máquinas financiadas pelo BNDES e absorção de 27% do sistema Linux, segundo estudo da ABES espinafrado de Sérgio Amadeu da Silveira e César Alvarez, que promete ainda mais para 2007.
Bons exemplos de tecnologia vieram também da iniciativa em 2006 – numa jogada inesperada, a Americanas.com se fundiu ao Submarino e criou nada menos que a terceira (!!) maior empresa de e-commerce do mundo.
Já a música digital, finalmente, nasceu no Brasil em 2006 – UOL, Terra e iG inauguraram suas lojas, que agora rivalizam com a pioneira iMúsica, já disponível em celulares brasileiros.
Mesmo com menos de um ano de vida, a IFPI decidiu que o Brasil já tinha um mercado maduro o suficiente (15 lojas aonde, ABPD?) para arcar com 20 processos para downloaders. Te prepara, a coisa já começou.
Brasil-il-il, mas é bom que tanto a nova gigante de e-commerce se prepare melhor para suas responsabilidades como que todos os sites de e-música encarem o mercado brasileiro de frente – 2,49 reais por música com DRM, nem fudendo, diria a massa.
2006 também foi o ano da dança das cadeiras corporativas, por vontade própria ou na marra. Bill Gates anunciou seu desligamento da Microsoft para cuidar de sua organização filantrópica (início de uma nova era na gigante?).
O ano acabou com a suspeita de que o antagonista a Gates (não veja isto como preferência à Microsoft, por favor), o mítico Steve Jobs, sabia de escândalos financeiros envolvendo ações da Apple.
Na HP, foi Patrícia Dunn, presidente do conselho, que deu seu tchau. Motivo? Espionagem corporativa contra executivos e jornalistas, o que provocou também a queda de outros grandes nomes e deixou Mark Hurd em posição desconfortável.
Como o mercado exige resultados, foi só vir o anúncio de lucro de 325% da HP que Hurd virou santo pelas bandas de São Francisco.
Do que já sabemos, no ano que vem teremos Notebook para Todos (lá por junho, você comprará laptops com Linux por R$ 1,8 mil), notebooks educacionais, Windows Vista para usuários finais, operadoras e redes de TV chiando com os (prováveis) investimentos em WiMax e TV Digital no Brasil e a Web 2.0 provando (ou não) que tem viabilidade comercial em médio prazo.
Para 2007, espere mais do mesmo. Manter o mesmo andor não é sinal de estagnação? Não, senhor.
Principalmente quando o mesmo envolve inclusão digital e popularização de tecnologia (ainda que beeem longe daquela maneira burocrática que as utopias juvenis propõe) para as massas.
Feliz 2007.


Guilherme Felitti é jornalista e escreve profissionalmente no site















