A improvável parceria entre Intel e OLPC, que vinham se estranhando desde a visita de Paul Otellini ao Brasil, em março de 2006, se concretizou, à revelia das expectativas de amantes, céticos e jornalistas que cobrem o assunto.

Não foi só a comunidade – este repórter, inclusive – que se surpreendeu.

Em entrevista com Élber Mazzaro, sempre articulado diretor de marketing da Intel Brasil, a conversa não fluia – havia uma evidente dificuldade em desenvolver o assunto sem cair nas frases de efeito, comportamento contrário ao padrão do executivo. Ele parecia confuso.

Até a sinceridade constante de David Cavallo, o manda-chuva da OLPC na América Latina, deu lugar a afirmações um tanto vagas e apenas uma certeza, também pontuada de dúvidas: no futuro, OLPC e Intel farão notebooks conjutos.

Ficou no ar a quantia que a Intel pagou à OLPC para entrar no conselho – todas as empresa sveiculadas à OLPC pagam, seja elas o Google, a AMD ou a Nortel. Fica sem resposta também – e principalmente – como será feita a integração de esforços.

Um notebook só? Ambas negam. Equivalência de configurações, inclusive com WiMax? Não descarte. Incentivos da Intel? Quem fica com medo disto é a AMD.

Nicholas Negroponte sempre afirmou que o setor era regido pelo “quanto mais melhor” e o próprio Governo Federal declara, quando perguntado sobre a licitação, que não será apenas uma carga de notebooks.

Quem pode perder? Pelo perigo de competir com a Intel, a AMD.

E, não, Nagano, eu não tenho nenhuma resposta mágica pra parceria.

Taí o original da matéria publicada no especial de 10 anos do Now! sobre o modelo de negócios da Mozilla baseado na comunidade. As edições finais foram poucas (a chefia foi bem generosa) – a principal ausência é o bloco que compara diretamente a Mozilla com a Microsoft.

Só avisando: o texto é grande. Mas nada na vida é muito fácil de qualquer maneira. Tá em Creative Commons, logo,você já sabe o que fazer, né?

*

comunidade_firefox

Asa Dotzler invade esbaforido o hotel em que está hospedado em São Paulo com duas mochilas nas costas e, ofegando, se desculpa pelo atraso no encontro enquanto um trio toca versões em jazz de sucessos da bossa nova no bar colado ao hall.São 21h30 da noite de uma terça-feira, último dia em que o evangelizador/evangelista do navegador de código aberto Firefox ficará no país.

Dotzler vem de uma viagem ao interior de São Paulo que reflete muito bem o espírito da comunidade que alçou o espólio do primeiro grande navegador da internet ao fantasma que puxa o pé da Microsoft em seu monopólio no atual mercado de navegadores.

Leia o resto deste post »

A promessa tava feita, mas demorou. Finalmente, taí embaixo, na íntegra. Dúvidas, pedradas ou elogios, grita.

*

Não adianta: você bate o olho no ClassMate PC e te dá uma síndrome de Gulliver. A impressão não é falsa – o notebook educacional da Intel, revelado pelo todo-poderoso Paul Otellini em visita ao Brasil, não passa de um notebook convencional com dimensões diminuídas.

Uma mea-culpa: graças a Marfan, minhas mãos estão longes de serem pequenas. Mas lidar com um Windows, já formatado para telas mais amplas, num teclado onde sua unha (só sua unha!) resvala em 3 teclas por dígito é algo beeeeem desconfortável.

Mesmo. É inevitável não torcer o bico ao perceber que, numa provável pressa para competir com o notebook de 100 dólares de Nicholas Negroponte, a Intel usou o mesmo raio usado por Wayne Szalinski pra diminuir seus filhos e dos vizinhos em um notebook.

A pressa, entenda, afeta um pouco a usabilidade e isto está longe da militância. Mãe do projeto, a organização OLPC desenvolveu uma distribuição própria de Linux que tem, como principal mérito, seu sistema gráfico – as interfaces são grandes e os botões, fáceis de serem achados.

A ferramenta de restrição à internet, originalmente prevista para que professores bloqueiem conteúdo impróprio para alunos, torna a configuração da rede sem fio quase impossível. Um cabo Ethernet e a internet rola – 1ª constatação: o Chá fica apertado.

Num ímpeto meio suicida, resolvo escrever uma nota para o Now! no ClassMate. As frases saem fácil, mas os dedos não acompanham. As letras no bloco de notas se tornam quase pontos e aquele movimento de franzir os olhos se torna constante.

A constante correção irrita. Corrijo. Não acho os ícones no menu Iniciar. Franzo ainda mais os olhos. Tenho em mente que o ClassMate é infantil, para dedos três vezes menores que os meus. A nota acaba e vai pro ar. A paciência também.

As distribuições de Linux que estarão no ClassMate em testes nos colégios Don Alano, em Palmas (To), e Professora Rosa da Conceição Guedes, em Piraí (RJ), têm fortes semelhanças com o Windows – vide o Mandriva Linux 2007 ou o Metasys.

O ClassMate é mais pesado que o XO, mas é bem verdade que também mais rápido (900 Mhz contra 433 MHz) e tem o dobro de memória (2 GB contra 1 GB). Mas qualé o grande foco desta iniciativa em dar notebooks para as crianças: a potência ou o preço?

O preço inicial do XO é de 175 dólares. No Brasil, a CCE já trabalha com previsão de preço de 900  1.100 reais para cada ClassMate. Coloque mais um punhado de inovações, como rede Mesh e uma tela com brilho sensível a ambientes, e a simpatia do Governo na conta daquele e você tem sua equação.

Update: Este é um apanhado de impressões de um repórter que acompanha o desenrolar da novela de notebooks educacionais no Brasil e que está pouco interessado nos transistores usados na placa-mãe do ClassMate.

Se é este tipo de informação que você procura, vai na onda do geek-mor Mário Nagano, que destrinchou o notebook da Intel enquanto estava na PC World.

ironia do dia

5 julho 2007

Único real “concorrente” do iPhone no Brasil (a Motorola preferiu não bater de frente com o RAZR 2), o LG Prada já pode ser encontrado nas Casas Bahia pelo sugerido preço de 1.899 reais – dica do Modos da Moda.

Ria – pelo menos no Brasil ele funciona, ao contrário do iPhone ofertado por 3.999 reais no Mercado Livre sem qualquer garantia real de acesso às redes locais.

Prada nas Casas Bahia.

…uma quantidade gigantesca de observações.

1 – Lembra do iGoogle? A sugestão do post anterior foi na mosca – sem o devido estardalhaço, Google e UOL fecharam contrato para integrar a busca daquele na montanha de conteúdo deste. Há espaço demais para a monetização. Agora, a pressão é sobre a Globo.com – o Terra tem acordo semelhante com o Google há 4 anos.

2 – Em um dia, o silêncio. Em 26 de junho, todos os serviços de rádio online se calaram, em organização do Save Net Radio. Com exceção do Last.FM. A razão foi a proposta do governo dos Estados Unidos em mais que duplicar (de US$ $0,0007 para US$ $0,0018) o valor cobrado pela execução de canções pela web, taxa inexistente sobre transmissões convencionais.

3 – Interney Blogs está prestes a fechar acordo com um grande portal brasileiro – dois estavam brigando pela parceria. Ainda não se sabe como será o acordo – veiculação ou compra.

4 – Terry Semel, ex-CEO do Yahoo, se foi, o que valorizou as ações do buscador em 4,2% no dia do anúncio. Pra entender o porquê da alegria, recomendo (de novo) a leitura de “How Yahoo Blew It”.

5 – Como prometido, o NoMínimo encerrou atividades. Seis jornalistas migraram suas colunas para sites próprios – Sérgio Rodrigues, Carla Rodrigues, Pedro Dória, Luiz Antonio Ryff, Ricardo Calil e João Paulo Kupfer. Ancelmo Góis (via BlueBus) diz que Unibanco e Estadão estão se unindo para reavivar o site – boletim Link na Eldorado transmitido neste domingo (01/07) deixa no ar uma confirmação. Uma opinião pessoal? Cut the drama, palease!

6 – A Tim inaugurou sua Tim Music Store alegando ser a primeira loja de músicas para celulares. Meia-verdade. A iMúsica (quem mais?) já vende canções para o N91, da Nokia, desde agosto do ano passado. Diz a operadora italiana que qualquer celular com WAP e suporte a MP3 pode comprar canções.

7 – Não dá pra ignorar a entrada da Globo no Second Life, divulgando nova novela com direito a avatar do autor no complexo virtual da Vênus – junto à guerrilha do Pânico na TV.

8 – GPLv3 divulgada oficialmente, apenas em inglês por enquanto. Um PDF ajuda a explicar as principais alterações entre a última versão e a final – esqueça o release: nem organização não comercial consegue ser objetiva num texto assim.

9 – iPhone on the wild. Tem review do Pogue, do Mossberg, da CNet e milhões de blogs babando pro gadget da Apple, mas a melhor história vem da MyFox Dallas TV (via Pogue). O cara cedeu o lugar e ganhou um iPod com acessórios. De graça.

10 – De volta. O chão ainda tá empoeirado. Uma hora eu limpo.

Enquanto o Lobão grava o Acústico MTV que tanto escurraçou (sem opiniões ainda – tem que ouvir antes), o mercado fonográfico brasileiro passa por um momento de dança de cadeiras – nada menos que três das quatro grandes gravadoras têm mudanças no alto escalão.

A principal delas vem da EMI, que trocou de presidente após o escândalo financeiro brasileiro que derrubou as ações mundiais da gravadora em 4% apenas no dia em que foi revelada. O então responsável pela gestão, Marcos Mainard, dá lugar a Marcelo Castelo Branco.

A Warner não fica atrás: o antigo diretor-geral Claudio Condé deu lugar a Sérgio Affonso, que ocupava o mesmo cargo na subsidiária mexicana da gravadora.

Na Universal, a mudança é menor, mas não tanto: Max Pierre ocupa o cargo de novo diretor artístico, profissional responsável por contratar (e demitir artistas) e por conduzir gravação e divulgação de álbuns.

Enquanto isto, o presidente da recém-criada Associação AntiPirataria de Cinema e Música se gaba por ter feita uma batida policial para apreender mídias virgens em 1997.

Pra mim, a dança de cadeiras e a presidência da APCM têm uma ligação uterina.

leituras: 11 de maio

12 maio 2007

rolling_hunter

Demorou, mas cá está de novo.

No San Francisco Weekly, Chris Dalen escreve no começo de abril sobre sua experiência em engravidar no Second Life, encontrado durante apuração pro Now!. O relato do cara é espetacular por que passa de um cetismo inicial para um emocionante relato do nascimento da sua filha (!).

Na Fast Company, Alan Deutschman traça um longo e denso, mas divertido, perfil de James Wales, o criador da Wikipedia que já passou pelo Chá. Quem preferir português pode apelar para a versão traduzida da Galileu.

N´A Última Biblioteca, Cláudio Soares traz o link para uma introdução e um capítulo inéditos para Jogo da Amarelinha, romane lúdico de Júlio Cortazar festejado por leitores compulsivos e acadêmicos por aí.

Não conheço a APC Magazine nem li a entrevista até o final, mas não se deixa uma conversa longa com a CEO da Mozilla, Mitchell Baker, passar ilesa sem, ao menos, dar uma espiada no que ela tem a falar sobre investimentos, comunidade e segurança.

Revirando uns livros gonzo pra explicar ao chefe o que é o jornalismo gonzo que inspirou a pauta sobre Second Life, me deparei com o texto da Rolling Stone com a morte do Dr. Hunter S. Thompson. Um tributo.

“The radio is 110 years old this year and the microprocessor just under 50. As these two technologies move ever closer together, with wireless capabilities now being put on computer chips, something exciting is happening”.

Com esta paulada de introdução, a The Economist estampou em abril um extenso especial sobre convergência.

E pra terminar, Tim Berners-Lee prova, com a autoridade de quem inventou a WWW, que dá pra explicar Web Semântica (ou 3.0, se você quiser) no Technology Review sem usar termos técnicos – mérito de quem domina o assunto, independente da área.

O COO da Microsoft veio ao Brasil para acompanhar (fazer apenas presença em corpo) o anúncio feito pelo presidente brasileiro, Michel Levy, que a empresa já está negociando com o Governo Federal para o pacote Microsoft Student Innovation Suite a 3 dólares.

O Governo, vale lembrar, é grande. Mas não é com a Assessoria Especial da Presidência, órgão responsável pela avaliação de notebooks educacionais.

Mesmo que não assuma com todas as letras, a Microsoft venderá o pacote, que tem Windows XP Starter e Office 2007 Student Edition, para “equipamentos novos que alunos possam levar para casa”, segundo executivo da empresa.

Em suma: notebooks educacionais.

Membros da Assessoria reagiram com um semi-rosnado à notícia: o Governo não tem interesse em incluir softwares de código fechado nos laptops educacionais, me garantiram.

Já se sabia. Mas não custava rememorar.

Se há uma postura que melhor define a atuação sadia de empresas online é nunca jogar contra a rede – esta frase foi pinçada de uma leitura recente que não me lembro.

Em pleno Dia de Trabalho, o Digg bambeou, mas assumiu sua postura de não jogar contra a rede.

Short story: a quebra do AACS usado para proteger contra cópias em discos HD-DVD e Blu-ray era notícia velha, mas ganhou destaque ao entrar na capa do Digg, que recebeu uma carta (ainda anônima) exigindo a retirada do conteúdo.

O Digg fez. E deve ter se arrependido amargamente. Na tarde desta terça-feira (01/05), após a “censura”, todas as notícias falavam sobre o hacking do AACS. Todas.

Não dá pra enganar a multidão – eles são milhões e têm olhos, bocas, ouvidos e um senso crítico, permitido pelo anonimato, que é de destruir qualquer um que não esteja com a terapia em dia.

Kevin Rose escreveu um post que beira a catarse no blog do serviço decidindo enfrentar a situação – a notícia foi diggada exaustivamente e ultrapassou todas as outras que criticavam a “censura”.

O Digg não é a primeira vítima da indústria (Napster, Kazaa e até mesmo YouTube – a lista é longa). Mas foi o primeiro a rechaçar uma postura mais corporativa no melhor estilo “mato no peito”: pelo jeito, o Digg quer pagar pra ver até onde a indústria vai.

Melhor: me parece que Rose quer tentar achar um novo caminho às ameaças de uma indústria que ainda vive conforme as regras do mercado offline.

Juridicamente, não me arrisco em dizer se a divulgação de tal informação quebra alguma lei – o Digg, vale lembrar, é uma ferramenta de comunicação e, por isto, tem que responder por seus usuários caso haja crime.

É um sentimento adolescente? Demais. E Kevin Rose tá virando ídolo desta molecada por isto mesmo: por ouvir e botar o modo Xanadu pra funcionar.

O código já está online há semanas e, depois do furor, ganhou ainda mais destaque – não sei se é bobagem, mas me dá um certo orgulho ver a movimentação relâmpago dos milhões de pequenos Zés contra uma grande corporação.

Veja os vídeos que já estão no YouTube, as opiniões que já estão no Technorati e as fotos que já estão no Flickr. A merda já está feita. Tentar brecar a rede é atirar uma pedra no enxame sem ter a condição de correr. Agora, é agüentar as picadas.

dado novo da Novadata

25 abril 2007

Notícia rápida. A Novadata, fabricante de PCs e notebooks e participante do programa Computador para Todos, entrou com pedido de concordata.

O por quê? Vou tentar descobrir e já volto.

Update: Eu, não. Taís Fuoco e o santista Alê Scaglia descobriram que a empresa baiana, quinta maior fabricante de PCs em 2005, teve que recorrer à Lei de Falências para não fechar suas portas.

Esta é a versão “oficial” que a empresa confirma, embora não se pronuncie oficialmente. O mercado, no entanto, dá como certo o fechamento da Novadata – entre segunda e quarta da semana passada, inclusive, foi assinado o pedido de concordata.

Não custa lembrar que veio da Novadata a venda do DualBoot (PCs com Windows e Linux) dentro do Computador para Todos, que obrigouo Governo Federal a reiterar que o programa exigia apenas o uso de Linux nos micros.

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