quando a soma de Intel e OLPC provoca indefinição
18 julho 2007
A improvável parceria entre Intel e OLPC, que vinham se estranhando desde a visita de Paul Otellini ao Brasil, em março de 2006, se concretizou, à revelia das expectativas de amantes, céticos e jornalistas que cobrem o assunto.
Não foi só a comunidade – este repórter, inclusive – que se surpreendeu.
Em entrevista com Élber Mazzaro, sempre articulado diretor de marketing da Intel Brasil, a conversa não fluia – havia uma evidente dificuldade em desenvolver o assunto sem cair nas frases de efeito, comportamento contrário ao padrão do executivo. Ele parecia confuso.
Até a sinceridade constante de David Cavallo, o manda-chuva da OLPC na América Latina, deu lugar a afirmações um tanto vagas e apenas uma certeza, também pontuada de dúvidas: no futuro, OLPC e Intel farão notebooks conjutos.
Ficou no ar a quantia que a Intel pagou à OLPC para entrar no conselho – todas as empresa sveiculadas à OLPC pagam, seja elas o Google, a AMD ou a Nortel. Fica sem resposta também – e principalmente – como será feita a integração de esforços.
Um notebook só? Ambas negam. Equivalência de configurações, inclusive com WiMax? Não descarte. Incentivos da Intel? Quem fica com medo disto é a AMD.
Nicholas Negroponte sempre afirmou que o setor era regido pelo “quanto mais melhor” e o próprio Governo Federal declara, quando perguntado sobre a licitação, que não será apenas uma carga de notebooks.
Quem pode perder? Pelo perigo de competir com a Intel, a AMD.
E, não, Nagano, eu não tenho nenhuma resposta mágica pra parceria.
ironia do dia
5 julho 2007
Único real “concorrente” do iPhone no Brasil (a Motorola preferiu não bater de frente com o RAZR 2), o LG Prada já pode ser encontrado nas Casas Bahia pelo sugerido preço de 1.899 reais – dica do Modos da Moda.
Ria – pelo menos no Brasil ele funciona, ao contrário do iPhone ofertado por 3.999 reais no Mercado Livre sem qualquer garantia real de acesso às redes locais.
Prada nas Casas Bahia.
a dança de cadeiras no mercado musical brasileiro
17 maio 2007
Enquanto o Lobão grava o Acústico MTV que tanto escurraçou (sem opiniões ainda – tem que ouvir antes), o mercado fonográfico brasileiro passa por um momento de dança de cadeiras – nada menos que três das quatro grandes gravadoras têm mudanças no alto escalão.
A principal delas vem da EMI, que trocou de presidente após o escândalo financeiro brasileiro que derrubou as ações mundiais da gravadora em 4% apenas no dia em que foi revelada. O então responsável pela gestão, Marcos Mainard, dá lugar a Marcelo Castelo Branco.
A Warner não fica atrás: o antigo diretor-geral Claudio Condé deu lugar a Sérgio Affonso, que ocupava o mesmo cargo na subsidiária mexicana da gravadora.
Na Universal, a mudança é menor, mas não tanto: Max Pierre ocupa o cargo de novo diretor artístico, profissional responsável por contratar (e demitir artistas) e por conduzir gravação e divulgação de álbuns.
Enquanto isto, o presidente da recém-criada Associação AntiPirataria de Cinema e Música se gaba por ter feita uma batida policial para apreender mídias virgens em 1997.
Pra mim, a dança de cadeiras e a presidência da APCM têm uma ligação uterina.
leituras: 11 de maio
12 maio 2007
Demorou, mas cá está de novo.
No San Francisco Weekly, Chris Dalen escreve no começo de abril sobre sua experiência em engravidar no Second Life, encontrado durante apuração pro Now!. O relato do cara é espetacular por que passa de um cetismo inicial para um emocionante relato do nascimento da sua filha (!).
Na Fast Company, Alan Deutschman traça um longo e denso, mas divertido, perfil de James Wales, o criador da Wikipedia que já passou pelo Chá. Quem preferir português pode apelar para a versão traduzida da Galileu.
N´A Última Biblioteca, Cláudio Soares traz o link para uma introdução e um capítulo inéditos para Jogo da Amarelinha, romane lúdico de Júlio Cortazar festejado por leitores compulsivos e acadêmicos por aí.
Não conheço a APC Magazine nem li a entrevista até o final, mas não se deixa uma conversa longa com a CEO da Mozilla, Mitchell Baker, passar ilesa sem, ao menos, dar uma espiada no que ela tem a falar sobre investimentos, comunidade e segurança.
Revirando uns livros gonzo pra explicar ao chefe o que é o jornalismo gonzo que inspirou a pauta sobre Second Life, me deparei com o texto da Rolling Stone com a morte do Dr. Hunter S. Thompson. Um tributo.
“The radio is 110 years old this year and the microprocessor just under 50. As these two technologies move ever closer together, with wireless capabilities now being put on computer chips, something exciting is happening”.
Com esta paulada de introdução, a The Economist estampou em abril um extenso especial sobre convergência.
E pra terminar, Tim Berners-Lee prova, com a autoridade de quem inventou a WWW, que dá pra explicar Web Semântica (ou 3.0, se você quiser) no Technology Review sem usar termos técnicos – mérito de quem domina o assunto, independente da área.
O COO da Microsoft veio ao Brasil para acompanhar (fazer apenas presença em corpo) o anúncio feito pelo presidente brasileiro, Michel Levy, que a empresa já está negociando com o Governo Federal para o pacote Microsoft Student Innovation Suite a 3 dólares.
O Governo, vale lembrar, é grande. Mas não é com a Assessoria Especial da Presidência, órgão responsável pela avaliação de notebooks educacionais.
Mesmo que não assuma com todas as letras, a Microsoft venderá o pacote, que tem Windows XP Starter e Office 2007 Student Edition, para “equipamentos novos que alunos possam levar para casa”, segundo executivo da empresa.
Em suma: notebooks educacionais.
Membros da Assessoria reagiram com um semi-rosnado à notícia: o Governo não tem interesse em incluir softwares de código fechado nos laptops educacionais, me garantiram.
Já se sabia. Mas não custava rememorar.
dado novo da Novadata
25 abril 2007
Notícia rápida. A Novadata, fabricante de PCs e notebooks e participante do programa Computador para Todos, entrou com pedido de concordata.
O por quê? Vou tentar descobrir e já volto.
Update: Eu, não. Taís Fuoco e o santista Alê Scaglia descobriram que a empresa baiana, quinta maior fabricante de PCs em 2005, teve que recorrer à Lei de Falências para não fechar suas portas.
Esta é a versão “oficial” que a empresa confirma, embora não se pronuncie oficialmente. O mercado, no entanto, dá como certo o fechamento da Novadata – entre segunda e quarta da semana passada, inclusive, foi assinado o pedido de concordata.
Não custa lembrar que veio da Novadata a venda do DualBoot (PCs com Windows e Linux) dentro do Computador para Todos, que obrigouo Governo Federal a reiterar que o programa exigia apenas o uso de Linux nos micros.



Guilherme Felitti é jornalista e escreve profissionalmente no site















