5 perguntas para Abel Reis, VP de tecnologia da Agência Click

28 setembro 2006

o que é a web 2.0?
*a web 2.0 pode ser dividida em duas partes. A primeira é das redes sociais e é a mais ligada com a criação de conteúdo por usuários. A outra ponta está com os webservices, com proliferação de serviços na web disponíveis para serem utliizados por APIs ou por protoclos próprios.

Se formos olhar pelos componentes básicos de serviços de um modelo web service, acho que se trata de uma tendência na arquitetura de aplicações para os próximos anos, com formato de iniciativa web cujas funcionalidades não estão contidas no próprio hot site, mas são dinamicamente alocadas em termo de execução

No segundo caso, temos exemplos do Yahoo 360, que integra diferentes classes de funcionalidades que estão distribuídas por diversos sites de web. Ao longo dos próximos dois anos, esta será a face da Web 2.0 a ser explorada em arquiteturas online por agências de conteúdo, como a Agência Click, usando Flash, Flex e AJAX.

Nas redes sociais, a web tem 3 grandes momentos. Começou com a emergência de grande atranentes de audiência, entre 95 e 99. Foi aí que começou a atual popularidade de portais e grandes sites de e-commerce atuais.

O segundo é um modelo paralelo online que surge em 2000 com o P2P, que coloca o conteúdo não como privilégio de um ponto central, mas em um sistema em que consumidores podem legal e ilegalmente distribuí-lo. O Napster é um exemplo extremo e, ironicamente, o primeiro. O P2P colocou em xeque a produção centralizada de conteúdo, como mostra a atual indústria de música.

A terceira onda é a de blogs e redes sociais, que cria um fenômeno em que o usuário não é apenas um distribuidor de conteúdo. O fenômeno “usa” comunidades para construir conteúdo de autoria criando condições para que apareçam micros e nanos centros de audiência. Seus 20 amigos que acessam seu blog, por exemplo, criam um micro centro de audiência.

Este fenômeno de audiência é o que mais chama atenção dentro do conceito de Web 2.0 por que faz da massa de internautas uma produtora autêntica de conteúdo.

Outro destaque nesta terceira onda é a criação de conteúdo passivo que leva à interação entre outros usuários, como o Last.FM, que pode exercer influência em outros participantes da rede sem que você seja ativo, apenas manifestando suas preferências por ações cotidianas.
existe um modelo de negócios da Web 2.0?
*trabalhamos de maneira para usar o comportamento dinâmico de pessoas interagindo em redes para explorar as obras dos clientes. Usamos isto para posicionar a comunicação de nossos clientes, mas de uma maneira que não seja invasiva.

O melhor exemplo dentro da Agência Click é o Coke Ring, que pretende fazer uma divulgação dentro da rede. O serviço é uma filtragem de blogs enviados pelos consumidores para que alavanquem a audiência do diário. Na prática, o site coloca a reputação da marca Coca-Cola em serviço da credibilidade e do aumento da audiência do blog escolhido.


A efetividade da web 2.0 entre empresas no Brasil é comprovada, mas ainda é baixa. Para a campanha de 30 anos da Fiat no Brasil, organizamos uma série de ações na internet para comemorar, com foco em um site em que convidamos os brasileiros a darem depoimentos sobre como o mundo vai estar daqui a 30 anos. Serão criadas duas obras digitais e um livro que explorem esta visão e serão distribuídos pela Fiat.

É bom falar que, quando o usuário manda, ele concorda de que a Fiat vai poder explorar comercialmente o conteúdo o quanto quiser.

podemos esperar um crescimento da interação passiva como fenômeno dentro da Web 2.0?
*a gente aposta nisto. o Del.icio.us é um belo exemplo, assim como a lista de preferência da Amazon também. a gente acha que empresas como a Click têm que procurar formas criativas de lançar mão deste conteúdo espontâneo para posicionar comunicação.

como tendência, acho que vai ser. acredito que vamos experimentar ao longo dos próximos anos formas mais simples e mais poderosas de expressão de conteúdo. pra escrever um blog hoje, tenho que lançar mão de escrever muito texto. As pessoas não necessariamente têm a inclinação para escreve tanto texto. Talvez, posso me expressar melhor fazendo mash-ups de música do que um texto.

pra fazer isto hoje, preciso de um domínio de ferramentas avançadas, mais do que um blog. o processo de fazer podcast, mediacasts e mash-ups vão ser como criar blogs por ferramentas como WordPress e Bloggers hojes. O futuro contará com ferramentas simples de interatividade natural de usuários com conteúdo genérico e de rede.

a tendência de produção de conteúdo pela rede é um caminho sem volta e vai ser cada vez mais fácil se expressar e produzir conteúdo sem ter que dominar tecnologias complexas e ser um hábil escritor de blogs.

dá pra ganhar dinheiro com web 2.0 no Brasil?
*eu olho muito web 2.0 pela ótica do pensamento de software livre. acho que a rede, como um legítimo meio de expressão, é web 2.0. a manifestação livre das pessoas é valiosa. a apropriação legítima dessas manifestação pra fazer dinheiro ainda não tem uma solução simples.

se você produz ferramentas que faz com que pessoas se expressem melhor e mais livremente, aí você pode ganhar dinheiro. se você sabe como comunicar seu produto, seu serviço e sua marca sem método intrusivo na rede, surfando nesta produção livre de conteúdo das pessoas, você pode fazer dinheiro.
acho que sim.

você só faz dinheiro na web se tiver uma presença online que potencialize a produção das pessoas. o DNA da web 2.0 é a comunicação de rede. tudo que explora esta comunicação, é bem vindo e pode ser uma fonte de receita no Brasil.

não conheço exemplo prático de gente ganhando dinheiro na Web 2.0 ainda. acho que as pessoas estão tateando no Brasil. quando falamos pro cliente e falamos de uma “feature” de Web 2.0, o cara faz cara feia e pergunta o que é web 2.0. quer dizer, se mesmo o cara que é executivo de marketing não sabe, é óbvio que o usuário médio não vai saber. mesmo assim, acredito que é inevitável que vá pra frente isto no Brasil.

o Brasil tem um gap de 5 anos para o que acontece no mercado internacional – o que faz sucesso lá fora agora, só chega ao brasileiro em 2009. o MySapce começou a fazer sucesso nos EUA no mesmo tempo que o Orkut, mas, ao contrário do News Corp, o Google parece ter ignorado o gap do Brasil pra ganhar vantagem.

existe uma bolha web 2.0?
*não. Existem sístoles e diástoles (os movimentos de bombeamento do sangue dentro do peito humano) no mercado, com contrações e explosões dentro deste universo. Isto acontece. O Coke Ring é um bom exemplo, por que faz um agrupamento de blogs diferentes num mesmo espaço que se junta. Quando ele caminha para uma seleção mais generalizada, a coisa começa a se especializar de novo. E isto cria um círculo.

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One Response to “5 perguntas para Abel Reis, VP de tecnologia da Agência Click”

  1. Pleamlili Says:

    Truthful words, some unadulterated words man. Thanks for makin my day!


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