IFPI pra brasileiro ver e pagar

19 outubro 2006

coletiva_IFPI

A vinda de John Kennedy (esquerda), o executivo com nome de presidente dos EUA que divide com Bob Pisano, da MPAA, o título de estraga-prazeres da web, ao Brasil não foi a toa.

A IFPI anunciou que já está processando 20 brasileiros por oferecer na internet grandes quantias de músicaem entrevista ao Jornal Nacional, o presidente da ABPD, Paulo Rosa, afirmou que a primeira leva atingiria só quem oferece mais de 3 mil músicas pra comunidade.

Quem não compartilha nada está seguro? Não a longo prazo. Em entrevista ao Now!, Kennedy foi claro ao dizer que os ataques se concentrarão por longo tempo aos “pilares” do P2P nacional, os grande “uploaders”.

Os segredos correm em segreado de Justiça e os envolvidos, até agora, não sabem que serão processados. Nem Kennedy nem Rosa precisaram a multa imposta aqui no Brasil. Lá fora, o valor ultrapassa 3 mil dólares.

A ação gerou protestos de grupos capitaneados pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, comandada pelo bacana Ronaldo Lemos, representante da Creative Commons no Brasil (fico devendo o link por hora).

O movimento, alertado pela Roberta no comentários do aviso da coletiva do Kennedy, tem direito até a petição online, disponível pelo projeto A2K.

Tanto Rosa como Kennedy argumentam que o mercado brasileiro de música digital já é maduro, com seus 10 sites de comercialização, a ponto de não precisar do iTunes.
O que ambos esquecem de dizer é que seis deles são veiculados e usam os mesmo preços e catálogo do iMúsica, o que faz com que haja apenas três sites independentes – soma-se Sonora, do Terra, e MegaStore, do UOL.

Diretor-geral da iMúsica, Felipe Llerena disse ao Chá Quente defende a atuação da IFPI com ressalvas à falta de flexibilidade tantos das gravadoras como dos usuários no mercado de música online no Brasil.

“O alvo é muito mais sério do que usuário imagina. Tem gravadora de mais de 100 anos de atuação que enfrenta uma burocracia tremenda para se ajustar. Isto é natural. Não justifica, porém, não ter flexibilidade. Precisa consquistar usuário. Ninguém vai deixar de baixar enquanto gravadora não agradar, der uma música de o cara comprar duas”.

Llerena ainda acerta na mosca quando diz que “bota sua mão no fogo que 80% dos downloads ilegais é Top 100, é a parada da Joven Pan”, ou música que nego baixa, escuta três vezes e esquece.

“O lucro de verdade está com estes 20% que gravadora nenhuma está acreditando”, e que o BitTorrent lá fora está apostando pesado pra bater de frente com o iTunes em vídeos – é disto que trata a Cauda Longa, que tu ainda vai escutar falar bastante.

O que me parece claro, que executivos odiados pela comunidade em geral, como Kennedy e Pisano, já aprenderam, é que não dá pra tratar o assunto sem o mínimo de informação e tato – isto gera um ranço maior ainda.

Sem entrar no mérito da IFPI e da ABPD, artista brasileiro que se digna a atacar a distribuição de música online com os velhos argumentos de um media training vagabundo de 10 minutos é de dar, no mínimo, nojo.

Né, Alcione?

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4 Responses to “IFPI pra brasileiro ver e pagar”


  1. […] A IFPI anunciou que já está processando 20 brasileiros por oferecer na internet grandes quantias de música – em entrevista ao Jornal Nacional, o presidente da ABPD, Paulo Rosa, afirmou que a primeira leva ating … Posted by gfelittiI think it’s very interestingLink to original article […]


  2. […] Depois do presidente da IFPI desfazer malas para anunciar os 20 primeiros processos contra brasileiros e bater a porta na cara da Fundação Getúlio Vargas, que tinha se cadastrado pro evento, rolou nesta quinta o troco. […]


  3. […] Paulo Rosa, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Discos (a RIAA brasileira), comenta os 20 primeiros processos contra usuários brasileiros de redes P2P. […]


  4. […] quem baixa músicas pra consumo próprio e não compartilha mais de 5 mil arquivos está fora dos futuros processos contra usuários brasileiros. Mesmo acanhada, a IFPI assume isto com todas as […]


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