5 perguntas para Maurício Bussab, presidente da Tratore

10 novembro 2006

A Tratore (que tem artistas altamente recomendáveis pelo Chá Quente, como Cidadão Instigado, Tom Zé, Los Pirata e Hurtmold) baixou os preços das suas músicas até janeiro para 0,30 centavos. Qualé o principal propósito da promoção?
Simplesmente criar hábito entre usuários, fazer com que eles não tenham restrições a comprar disco na internet só por que tá caro. As majors e independentes estão emulando o modelo de venda CD para o mundo digital, e isto é errado. O comportamento de quem baixa música é diferente de quem compra música. Abaixar o preço é permitir a experiência de ouvir várias músicas diferentes. E isto é barato o suficiente pro cara experimentar. Não gostou? Ele não perdeu muito dinheiro de todo jeito.. Discos são comprados na certeza. Eu não compro disco se não sei se gosto ou não.

E quais são as conseqüências esperadas?
Qualquer coisa que aumentar vai ser um aumento indefinido. Não tá vendendo nada, então qualquer aumento é um lucro. É difícil fazer qualquer tipo de previsão de modelo de negócio ou faturamento numa situação desta quando não existe o negócio. Hoje a brincadeira é que o faturamento de música digital, em todas as lojas online do Brasil, é menor que do que reciclar cartucho de impressora (risos). Se queremos que o futuro chegue, alguem tem que trabalhar pra ele.

Qualé o principal problema da música digital hoje no Brasil?

O problema mais sério não é gravadora, mas sim editora, que tem os direitos autorias. Existe um acordo entre elas que o mínimo que uma faixa pode ser vendida é 1,90 real. O próximo contrato pode ser de 2,25 reais, com aumento já programado nos próximos meses. Não sei como fica pro usuário final. Algumas pequenas, como nós, somos editoras e lidamos com composições que não precisam ser editadas, cujo controle dos direitos fica com nós, com editora amiga ou com o artista. Na ponta do lápis, como é uma venda direta com um intermediário (a Megastore, do UOL) não tem transporte e tem imposto de serviço, o resultado é quase igual ao do CD final.

Canções digitais a 0,99 real já é possível no Brasil?
Não vamos voltar ao patamar de preços anterior, mas sim um intermediário. A promoção é pra fazer barulho. Pra ser sincero, o tanto que vamos vender nos meses é menos importante do que criar uma cultura de pagar pela música. Isto é mais importante que o faturamento. Se eu conseguir vender 1 mil faixas por mês, vou soltar rojão. (O resultado) vai depender muito do boca-a-boca. O Brasil tá passando um momento ruim em mercado digital. Estamos atrás na criação deste mercado, com culpa de gravadoras, editoras e até da Apple, por exemplo. Mas a gente tem que começar a mexer.

A internet é uma nova plataforma para independentes?
Não sei nem presto atenção no que elas as majors estão fazendo. É um universo próprio tão separado do resto do universo que não dá pra prestar atenção no que elas fazem. São artistas com práticas comerciais e de licenciamento que não dizem respeito ao que está acontecendo no mundo. Realmente não sei como responder isto. Mas acho que podemos pautas as grandes, sim. A gente (as gravadoras pequenas) tem que pautar. Não podemos mais ser liderados pelas grandes. Precisamos criar nossas práticas. Não sabemos se vai dar certo, mas tentamos. Em janeiro, conversamos.

One Response to “5 perguntas para Maurício Bussab, presidente da Tratore”


  1. […] A DeckDisc baixou os  preços de suas músicas digitais para R$ 0,99 até janeiro, em promoção semelhante à da Tratore. […]


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