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6 perguntas: Edney Souza, fundador do InterNey

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Celebridade da blogosfera brasileira, Edney Souza largou seu emprego de gerente de sistemas da Divicom em agosto de 2005 pra viver do InterNey, seu blog.

Aliado a conteúdo de extremo apelo popular (como ele mesmo admite no caso do Gerador de Números da MegaSena), um sistema financeiro de anúncios integrado por Souza entre anunciantes como Buscapé, Google e Mercado Livre são a ele uma renda maior hoje que no seu tempo de firrrma.

Agora, InterNey empacotou sua solução financeira e começa a monetizar (decentemente) blogueiros de certo prestígio, numa jogada que deve dar ao rapaz um papel de padrinho da birrenta problogosfera brasileira (ele mesmo rechaça o termo).

Nascido no final de fevereiro, o InterneyBlogs agrega 21 blogs de começo.

Qual o sistema econômico que você montou e aplicou aos 21 primeiros blogs do Interney Blog?
Hoje, temos de certo o AdSense (do Google) para páginas e uma parceria com o Mercado Livre (parte do projeto Mercado Livre Sócio) para puxar anúncios da maneira mais interessante (para os anunciantes). Desenvolvi um algoritmo que analisa o que a pessoa escreveu, analisa base se dados do Mercado Livre e procura anúncios que tenham relação com texto. Com base nesta relação, ele escolhe os melhores.

O sistema não tá todo implementado. Navegue pelas categorias agora e você verá que a maioria ainda tem anúncios relacionados apenas à matéria principal da categoria (culinária, literatura ou esportes, por exemplo). Financeiramente, o contrato firmando entre Interney e os 21 blogs (até agora) é que pode ser explorado para gerar lucro a partir da audiência gerada. Na divisão, 80% fica com o blogueiro e eu recebo comissão de 20%.

Quem traz mais visitantes, tem participação maior (no lucro). Sinceramente, não quero saber da grana que ele ganha, mas da audiência que atrai. Esta audiência traz credibilidade, por isto estamos valorizando aspectos e blogs de todos os assuntos.

Não pegamos blogueiros novos à toa. Pegamos blogueiros com maturidade, que tem gente que trabalha com escrever e que sabe da importância da qualidade. O que interessa é conteúdo de qualidade. Se deturpar e queimar credibilidade (para atrair mais audiência e,logo, mais dinheiro), pedimos pra sair.

Como foi a estruturação do IB?
Hoje, estou usando o excedente de hospedagem do meu servidor para bancar o início do IB. Quando houver tráfego significativo pra exigir mais banda, vou abater da hospedagem, assim como possíveis despesas com design, que serão discutidas entre os membros.

No dia de estréia, tivemos 3 mil unique visitors. É OK pra o primeiro dia. Ainda tenho hospedagem para dobrar o tráfego do Interney, que recebe de de 3 milhões a 4,5 milhões por mês, com número de page views passando 18 milhões – o Interney é o 113º site mais acessado do Brasil, segundo levantamento feito pelo Ibope em dezembro.

Queremos diversificar os assuntos (já temos cinema e culinária, entre outros). Não temos, por exemplo, blogs sobre games ou sobre carros e tunning. Existem nichos não explorados e queremos achar alguém para preencher esta lacuna. Se fosse pra chamar qualquer um, a gente tinha feito algo e colocado no ar.

Podemos colocar dois blogueiros do mesmo assunto pro usuário apreciar conteúdo de boa qualidade. Ter duas ou três pessoas que escrevem bem sobre o mesmo tema não significa que estamos esgotando o conteúdo.

Você pretende levar este modelo para uma consultoria de SEO, por exemplo?
Muita gente me cobra serviços de SEO pelo PageRank do Interney (nível 7, assim como UOL, Terra, Globo e Mercado Livre. No Brasil, só eles são 7).

Não é objetivo hoje, por que tem muita gente que faz um trabalho de SEO para enganar o usuário em todo o mundo. Você consegue usar técnicas BlackHat que dão resultados bons em curto prazo. Este tipo de profissional deixa de valorizar seu trabalho por que o resultado (do posicionamento em resultados de buscas) tem que ser a médio e longo prazo.

O Google verifica e “desarma” alguns destes truques de vez em quando. Mas, até lá, o SEO já apresentou resultados para o cliente, que fica satisfeito também no curto prazo. Não é ético e pode prejudicar quem trabalha decentemente, por que o Google pode demorar anos para perceber “a falcatrua”. Não gostaria de trabalhar num setor onde você tem que apontar pros outros e dizer que não é legal o que se está fazendo.

Também não acredito que um portal grande contrate meus serviços e me pague uma quantia vultuosa. Se for pro setor, terei vários pequenos clientes. Mas, no mercado brasileiro, ainda não tem gente com conhecimento elementar suficiente para manter este tipo de trabalho (no médio prazo). Fora da web, sou um Zé Ninguém.

O que talvez possa lançar é uma ferramenta que rode em outro sites com espaço para propagandas. Precisamos apenas ver como acordos comerciais deste tipo podem ser fechados. No IB, todo mundo concordou que eu ganhe, faça os cálculos, passe o relatório e deposite (o dinheiro). Existe amizade para formar confiança entre nós. (Com outras empresas), o problema é fazer um contrato com este nível de segurança.

Mas esta monetização de blogs em massa te coloca como um dos principais SEOs do Brasil, não?
Não me considero o principal SEO do Brasil. Só trabalhei com meu site. Precisaria ter trabalhado com uma base maior de sites para dar meu argumento. O modelo financeiro que deu certo no InterNey está rodando no IB. Todas as análises dizem que vai dar certo.

Você já recebeu reclamações sobre o exagero de anúncios no Interney?
Sim. Os anúncios atrapalham a leitura, sim. Mas nunca me causou nenhum tipo de problema. Meu foco é conteúdo. Não escrevo só pra atrair visitantes. Escrevo para coisas que as pessoas querem ler. O visitante vai mesmo que esteja poluído por que sabe que o material é interessante para ser lido.

Existe uma tolerância grande do usuário brasileiro de maneira geral. Não existe esta tolerância quando o post engana o usuário, colocando diversos anúncios no caminho sem entregar o conteúdo prometido no início.

Você se considera um problogger?
Nunca me chamei de problogger por que o Brasil criou uma bolha com o cara fazendo anúncio só para catar clique. Sou um blogueiro profissional, mas se arracansse tudo que não é blog, daria pra viver muito bem. Eu obtenho lucro suficiente para viver.

Agora, não gosto de usar o termo ProBlogger. Quem é, vive em meio às polêmicas. Não quero saber quem ganha quanto com o AdSense. Não vou discutir o que faço com o dinheiro ganho.

Acho que tem pessoas que fazem por merecer as críticas, mas tem um grande exagero de falar que todo mundo é “comunista comedor de criancinhas”. Não quero discutir se aquilo é bom ou ruim para ganhar dinheiro com blogs. Uso isto pra falar de outros tipos de conteúdo.

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