O Governo Federal confirmou no final da última semana que a fabricação nacional do servidor usado pela organização One Laptop per Child está “a perigo” (as frases entre aspas são citações literais).
O órgão responsável afirma que o Brasil nem confirmado para a produção, como Nicholas Negroponte prometeu ao visitar o presidente Lula em novembro, está.
O Governoa avalia que Negroponte fez a declaração para diminuir as pressões nacionais para fabricar, sim, o notebook educacional XO – a promessa de Negroponte é encarada como “uma molhada de bico do passarinho”.
David Cavalo, a OLPC no Brasil, confirma o atraso, mas cita “atrasos pelo redesign do servidor” – o Laboratório de Sistemas Integrados, da USP, inclusive, está ajudando na nova configuração.
Até março, promete, ele espera que a licitação para escolher qual empresa fabricará o aparelho sai.
O atraso implica em duas conseqüências diretas: os testes pedagógicos em colégios de Porto Alegre e São Paulo com o XO, também atrasados, não contarão com a proposta original de avaliar também o servidor.
A outra é de fundo moral – não é nada ético o fundador de uma organização dita humanitária mentir sobre promessas que envolvem investimentos financeiros num país de terceiro mundo (não seria contornável nem num de primeiro).
Por isto, creio eu, a acidez da afirmação do Governo parece um tanto exagerada. O próprio Cavallo se apressa em esclarecer (e confundir um pouco mais) sobre a relação próxima, mas com o mesmo nível de cordialidade de uma transação comercial, do Governo com a OLPC.
If it becomes prohibitively expensive to build in Brasil, then it causes other problems. But if that were true then it gives reason to pressure the government that its policies are counter-productive. Since I believe the government truly wants to re-develop a serious microelectronics industry in Brasil, then its policies must enable countries to create competitive products here. let’s see. I am optimistic.
Março tá aí. Enquanto isto, a newsletter da OLPC informa que “XO goes to Carnaval“, com Carlinhos Brown e Chico César se juntando ao projeto para levar os XOs a Salvador e João Pessoa, respectivamente, suas terras-natais.
Só há um problema: as duas cidades que testarão o XO no Brasil, já decidiu o MEC, serão São Paulo e Porto Alegre. Um colégio de João Pessoa testará notebooks convencionais na sala de aula, enquanto Salvador nem no cronograma do MEC figura.
Diz o anúncio que “these artists/community activists immediately saw the benefits for for learning and inclusion”. Blefe da MPB?
Update: Com uma atenção além do corporativismo, David Cavallo esclarece que a ação de Brown e César se dará caso o Governo escolha a plataforma da OLPC para os colégios brasileiros.
E quando diz que “advoga para o envolvimento de muitos grupos para melhorar em escala a qualidade das escolas”, Cavallo tem um ponto: será difícil que Salvador e João Pessoa não recebam os portáteis, caso o Governo decida pela OLPC.