Carr e o blog como registro do mundo

12 março 2007

Nicholas Carr defende em post recente do seu Rough Type a “blogagem parasita”, como ele bem define – a dica é do Renato Cruz.

Ao invés do conteúdo original, Carr vê como válido o blog como o registro de assuntos, conteúdos e pessoas que façam sentido à uma linha de pensamento ou mesmo ao cotidiano de quem edita o blog.

Carr diz se sentir entusiasmado por fazer parte da definição de uma nova forma de literatura, ao mesmo tempo em que admite ter feito parte, no início, do grupo de jornalistas que afirma que não existiria blogs sem o conteúdo produzido pela grande mídia.

Conhecido por ter questionado o valor de TI num mercado que movimenta bilhões de dólares, Carr parece mais polêmico do que efetivamente é – ainda que se ocupe demais no seu texto em comparações pontuais com um livro que vem lendo.

Valeria até remeter ao artigo “Por que os blogs de jornalistas não funcionam“, de Júlio Dário Borges, não fosse as generalizações, por vezes, preconceituosas contra jornalistas.

(OK, vamos esclarece algo: não defendo classe nenhuma – quem tá dentro sabe muito bem como é -, mas admitir que “nenhuma opinião, jornalisticamente falando, é 100% firme no Brasil” é puritano demais)

Reciclar conteúdo segundo sua própria óptica é algo premeditado pela Web 2.0 (o que são mash-ups?) e até mesmo por outras áreas que não envolvem tecnologia – pense sobre o trabalho de um DJ, como fez o cartunista (e favorito do Chá) Laerte em entrevista à Caros Amigos.

Aqui entraria uma semiótica que o Chá Quente não se propõe a discutir. Carr tem um ótimo ponto quando afirma que não vê graça em blogs que replicam fórmulas jornalísticas, publicando notícias no formato formal que veículos pedem.

Mas o blog pede interação, cumpadre, o que significa que aplicar o que eu chamei de “lei do Gérson da Web 2.0” continua a ser uma filha da putagem digital. Blog também é aplicar seu pensamento sobre um conteúdo criado antes – te lembra daquela história de construção coletiva?

Pra tanto, Thomas McMahon enumera quatro maneiras de referenciar conteúdo alheio sem ser taxado como copião.

Por outro lado, não é obrigação que todos os blogs tenham de servir como um registro de navegação, a não ser que por escolha própria – a referenciação é complementar, não restritiva. O Chá Quente se assume como uma mistura de ambas as posturas.

Se você tem algo interessante a dizer que fuja da verborragia comum em muuuuuuuuuitos assunstos da blogosfera brasileira (muita gente falando o que pouca gente já pensou e definiu muito bem), be my guest.

3 Responses to “Carr e o blog como registro do mundo”


  1. Ola’, Guilherme, agradeco a citacao (tambem a primeira, porque estava viajando…) e aproveito para indicar “um blog que indica blogs”, tomando como base as citacoes no Technorati, o proprio Blog do Digestivo Cultural . Visite e perceba, se quiser falar mais sobre esse e outros assuntos, estou ‘a sua disposicao para uma entrevista (sempre bom trocar ideias com gente inteligente…), abracao! Julio


  2. Guilherme, visitei teu blog, gostei muito. Gostaria que você visitasse a página dos professores de Balneário Camboriú sc, onde é Blog é uma ferramenta de trabalho para professores. Um abraço.


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