íntegra: a guerra (nacional) dos mapas online

27 setembro 2007

Íntegra da matéria sobre os mapas online no Brasil. Creative Commons na veia.

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Lá fora, eles já traçam direções, apontam os melhores caminhos no meio do rush, integram telefones celulares e reproduzem as vias com fotos tiradas na vida real.

No Brasil, no entanto, os mapas online ensaiam sair do marasmo com novos serviços que, mesmo atrasados em comparação aos estrangeiros, já trazem alguns benefícios além de mostrar as ruas.

A nova onda é liderada pelo Live Search Maps, da Microsoft, oficializado na primeira quinzena de setembro para dar início ao primeiro serviço de alcance nacional que conta com pontos de interesse e informações de trânsito ao vivo.

Mas não é apenas da briga entre os gigantes Yahoo, Microsoft e Google que os mapas online brasileiros vivem.

A bem da verdade é que, fora a recente movimentação da Microsoft, são empresas brasileiras que concentram inovações e investimentos no setor.

O principal exemplo da inversão a competição pelos mapas online está no serviço do Yahoo que, ao invés de regionalizar seu Yahoo Maps para o Brasil, tem parceria com o brasileiro MapLink.

Ao invés do complexo Yahoo Maps internacional, que traça rotas dentro de dezenas de cidades norte-americanas e oferece indicações de trânsito em tempo real, com o direito à indicação de acidentes nas rodovias, o serviço nacional indica endereços, traça rotas e achar, ainda que de maneira limitada, estabelecimentos pela ferramenta da MapLink.

Questionado sobre o cenário, o Yahoo Brasil esclarece que tem planos de aprimorar o atual Yahoo Maps, mas classifica como “muito saudável” a atual parceria com a MapLink, que não tem prazo para terminar.

Nascido de um pedido do portal UOL, o MapLink tem no case do Yahoo o principal exemplo da sua função: ao invés do usuário final, o foco da empresa é fornecer seus mapas que sejam integrados em páginas corporativas.

É por esta razão que buscas feitas no MapLink são salpicadas por ícones de parceiros comerciais que integram referências a estabelecimentos reais como nova forma de publicidade.

No final das contas, porém, a estratégia deságua invariavelmente no usuário final – é pelos mapas nacionais do MapLink que usuários do Google Maps e do Live Search Maps navegam quando buscam informações e indicações.

No Apontador, por mais que haja parcerias com terceiros para indicações nos mapas, o foco é diferente: dentro de um grande mapa de cidades brasileiras, chamado de “Apontador Web 2.0”, o serviço coleta indicações de estabelecimentos feitas pela comunidade, modelo seguido pelo também brasileiro U.Find.

Com o trabalho da comunidade, o Apontador já conta com 1,1 milhão de pontos de interesse fornecidos pela comunidade que estão integrados a seus mapas junto a conteúdo próprio do site.

“Com a chegada oficial de Google Maps e Live Search Maps, o mercado brasileiro não está nada atrás do internacional”, analisa Frederico Hohagen, fundador e presidente do MapLink.

“Talvez em funções como o Street View (do Google) ou o Bird Eye (da Microsoft), mas ambos inovam em fotos trabalhadas, não em serviços, e devem vir logo para o Brasil”, imagina.

Mesmo com as claras estratégias antagônicas, MapLink e Apontador concordam no quesito referência – ambos os serviços foram formados e se espalham no norte-americano MapQuest. Isto coloca o Google como rival direto no Brasil?

“Não dá pra ver o Google como um rival. Desde que ele ensinou ao mercado o que é mapa, as buscas pessoais e corporativas aumentaram”, afirma Rafael Siqueira, chief technology officer do Apontador. “O Google é a base todo o processo”.

A colocação de Siqueira não é exagerada. Em 2005, o Google colocou no ar seu serviço de mapas Maps e ofereceu para download o Google Earth, software que reproduzia o planeta com mapas feito pela Keyhole, empresa comprada pelo buscador no ano anterior.

Além de chamar a atenção de usuários para a cartografia, o Google atraiu desenvolvedores ao liberar a API do Google Maps, o que permitiu a explosão no desenvolvimento de novas funções ou aplicativos para o serviço.

Além do crescente interesse, a comunidade tinha nas mãos a ferramenta para integrar qualquer tipo de informação em mapas, localizando geograficamente dados como casas para aluguel em um fenômeno chamado de mashup.

No vácuo do Google, Yahoo e Microsoft também revelaram não apenas serviços de mapas como suas respectivas APIs que atraíssem desenvolvedores para a criação e implementação dos mapas em outros serviços.

Na corrida pela inovação nos serviços estrangeiros, falta ainda ao Brasil ampliar a indicação de trânsito da malha viária para além de São Paulo e Rio de Janeiro, as duas cidades atualmente suportadas pelo Live Search Maps e pelo MapLink.

Após a capilarização das vias dos mapas brasileiros, portais podem desembarcar no país as funções gráficas citadas por Hohagen que, embora não tragam usos diretamente práticas, oferecem visões privilegiadas de determinadas localidades.

É o caso do Google Street View que mapeia ruas de nove cidades norte-americanas conectando fotos tiradas pela cidade, dando uma impressão de passeio virtual pelas localidades norte-americanas, o que levantou discussões sobre privacidade.

Um ano após inaugurar ruas nas primeiras cidades brasileiras do seu serviço, o Google não apresenta a inovação esperada por suas ferramentas lá de fora.

Com uma certa desorganização na indicação de pontos de interesse, o Google Maps traça rotas por meio do endereço ou do CEP e ainda permite alterações no trajeto com o mouse.

Procurado pelo IDG Now!, o Google não divulgou planos sobre possíveis melhorias no Google Maps já disponível nos EUA, com a indicação de trânsito e o Street View.

Como depende do índex do buscador para indicar pontos de referência, o Google Maps peca pela desorganização, o que faz com que a maioria das poucas opções de hotéis e restaurantes seja de empresas internacionais cadastradas na versão norte-americana do Google Maps.

Se dependesse unicamente do seu índex, o serviço da Microsoft sofreria do mesmo problema.

Para driblar o problema, a companhia fechou acordo com o serviço de lista telefônica online TeleLista para que integrar a base de estabelecimentos do site no serviço de mapas, o que faz com que o Live Search Maps exiba pontos de maior relevância.

Em testes feitos pelo IDG Now!, as indicações do Live Search Maps foram listadas organizadamente e se destacam por equilibrar o número de referências (restaurantes, por exemplo) em diferentes regiões da cidade.

Fora do eixo “Apontador/MapLink”, usuários contam também com o Hagah, do conglomerado RBS, que distribui indicações de bares, cinemas, motéis e estradas no entorno de Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba e pontos turísticos da região Sul.

Segundo a RBS, o serviço deverá estrear novas cidades suportadas pelo serviço fora da região no primeiro semestre de 2008, o que faria com que o mercado nacional de mapas online contasse com três players brasileiros frente aos grandes portais.

Na guerra dos mapas online brasileiros, os portais que disputam espaço lá fora é que parecem não encontrar o caminho para bater de frente com as opções nacionais.

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