creativecommons5
O Creative Commons fez 5 anos. Desde 2002, a licença originada pela cultura do “copia-cola” que dá arrepios na Escola de Frankfurt já teve CD mixável com artistas fodões (Beastie Boys, hã?), rede de TV alemã e agência governamental de notícias do Brasil adotando a licença para conteúdo e

Mais que tudo, o Creative Commons deu via (e vem promovendo) uma nova postura de autoria em que as moedas podem não chegar ao bolso, já que vale mesmo a atribuição, a divulgação do nome do responsável pelo trabalho – veja as licenças aplicadas na comunidade Flickr, por exemplo.

No ano passado, Ronaldo Lemos disse que havia a pretensão de criar uma nova licença dentro do Creative Commons para uso comercial – vendendo conteúdo que pode ser remixado e divulgado sem limites – numa extensão do que serviços como o Jamendo já fazem hoje. Não havia, porém, definições do iCommons quanto a isto. É uma boa perguntar.

Pra entender melhor o assunto, assista a palestra que o Lawrence Lessig deu no TED ou leia o artigo do Cory Doctorow  da Locus Magazine.

Durante a matéria sobre o potencial novo papel das redes sociais com a entrada no estilo pé na porta do OpenSocial, a conversa com Luli Radfahrer descambou para a dominação do Orkut entre os brasileiros. Com o fator cascata que os widgets no Orkut devem chegar quando a massa crítica perceber qualé a dos programinhas, houve um consenso sobre o potencial do Orkut afastar qualquer potencial perigos de MySpace e Facebook.

Mas de onde viria uma força suficiente pra desbancar o Orkut? Da TV. Na surdina, a Globo está tentando levar seu apelo para a internet exigindo que interessados em participar do Big Brother Brasil 8 se inscreva no serviço de fotolog 8P, criando um ambiente em que milhares de potenciais “big brothers” interajam entre si numa rede que não o Orkut – por mais que interaja com a rede do Google.

E vai passar? “Teria que construir uma coisa muito maior. Acho que grandes empresas de mídia de massa ainda não entenderam isto direito. Se um grande programa resolve fazer uma rede social e ganhar sua musculatura, ele pode roubar usuários do Orkut”.

Luli é direto (e este blog assina embaixo): enquanto nenhum canal de TV conseguir fazer uma ação decente, que use redes sociais atreladas à grande mídia, o Orkut vai remar sozinho no mercado social.

A experiência acumulada pelos brasileiros pelo envolvimento com o Orkut é mais que motivo para que o Google leve alguns power users para Índia e China pra tentar replicar o modelo da rede em países pobres com crescente acesso em banda larga – vale lembrar que, além do Brasil, o Orkut faz sucesso só na Índia e no Paraguai.

“Só que parece que nem pessoal do Google sabe o que deu certo”. Luli tem mezzo-razão. Em entrevista com Nélson Mattos, o VP de engenharia do Google na Europa, o diretor de comunicação do buscador no Brasil Félix Ximenes – que já tinha explicado a confusão dos probloggers para este Chá – arriscou um palpite sobre a popularidade.

A razão primordial? Engenheiros. Quando o Orkut começou a fazer sucesso entre eles, ilhas de acesso do Google começaram a se destacar no mapa mundial de acesso. A primeira cidade brasileira foi Porto Alegre o que levou outras cidades, como São Paulo e Rio, a arregimentar mais usuários, numa espécie de disputa.

Evidentemente, a razão total não contempla só uma corrida pelo ouro entre engenheiros. Mais que encontrar razões, porém, o Google deve estar preocupado em levar o OpenSocial pra mesma massa que abraçou o Orkut e hoje o usa como uma Maizena ou uma Gillette da vida – com ou sem um canal de TV pra atrapalhar.

como nasce a notícia

23 novembro 2007

Ralphe Manzoni, chefe deste blogueiro, pediu dados relativos ao acesso de brasileiros às redes sociais para o IBOPE//NetRating como forma de repercurtir o avanço do Facebook às vésperas do investimento da Microsoft.

O IBOPE liberou. Orkut em primeiro, com 68% de penetração entre usuários, seguido por MySpace, com 3%, e Via6, com 2%. Os dados foram ao ar originalmente no dia 19 de outubro.

Onze dias depois, a empresa responsável pela assessoria de imprensa do Via6 reciclou os dados no formato de release, afirmando a Vi6 é a terceira rede social mais acessada entre internautas brasileiros.

No mesmo dia, as informações viraram notícia.

O que é web semântica?
O Tim é melhor que eu para isto. O que ele está atrás é a habilidade de lidar com conteúdo de maneira que se chegue ao significado, e não à sintaxe. Hoje, quando fazemos buscas usamos palavras e indexamos todas as páginas a partir de palavras. Mas não sabemos o que a palavra significa, apenas que ela está nesta página.

Pode ser que você tente encontrar informações cujo significa seja expressado pelas palavras assim como por outros conteúdo. o problema é como encontrar toda informação na rede cujo significado é expressado por outros conteúdos.

A idéia de Tim é integrar o sentido ao texto da rede, na definição literal de busca semântica. Um estagiário do Google um dia me falou que hoje pessoas navegam por documentos. Queremos navegar por respostas, que são as respostas das perguntas.

Nos 60, pensaram que discurso seria entendido por uma espécie de dicionário automático no PC. Quarenta anos depois temos certa habilidade para entendimento de discurso mas para situações determinadas. Saber o número de um vôo algo muito mais fácil do que a filosofia por trás de Marcel Proust.

meia hora com vint cerf

19 novembro 2007

vint_cerf

Encontro o assessor cerca de 40 minutos antes do tempo marcado – algo excepcionalmente raro pra alguém com dificuldade de entender a divisão diária por horas. Enquanto ele tentar localiza um terceiro, ficamos sentados no saguão do luxuoso hotel na Barra da Tijuca matando tempo online – estamos em uma conferência sobre internet, nada mais natural.

O terceiro passa com um ar tranqüilo e o assessor corre para se apresentar “antes que alguém o alugue”. Ele pede vinte minutos antes de subirmos e se dirige ao elevador. Matamos mais um pouco tempo tempo esparramados no grande sofá caramelo e, às 8h50, subimos.

Estamos no sétimo andar. O sinal gratuito de internet sem fio usado por dezenas de pessoas no lobby não chega aqui. Uma norte-americano nos seus 50 anos bastante solícita pede que aguardemos. Ele não atrasará, avisa. Dez minutos depois, sai a equipe de filmagem. Nos cumprimentos com a cabeça e ela pede que nós entramos.

Estou dentro do quarto de Vint Cerf, o responsável por você estar lendo este texto agora. Cerf criou, junto a Bob Kahn, o protocolo TCP/IP que permite que cada PC tenha um IP (é, o RG digital) e se autentique em uma rede para navegar.

Entre profissionais da área e qualquer um com um certo conhecimento sobre a história da internet, Cerf é tratado como uma lenda viva.

Foi ele quem criou a base da rede que usamos hoje. Ele percorre o mundo em seminários pagos para falar a centenas de ouvintes suas idéias sobre o futuro da internet. Ele vai a festas dadas em seu nome por entidades que representam grupos de internet e telecomunicações. Ele é evangelista (e atual funcionário mais velho) do Google.

E mesmo assim, Cerf pega seu cartão sobre a mesa assim que seu acompanhante, um americano avermelhado além dos 50 anos, sai da anti-sala transformada em escritório e o estende em minha direção com as duas mãos, fazendo um cumprimento com o olhar.

Trocamos cartões, o assessor puxa uma cadeira e me instalo de frente a ele, olhando por sobre seu ombro para belas coberturas na orla da Barra da Tijuca. Como esqueci meu gravador, lhe aviso que terei que digitar toda a conversa no laptop, que fica aberto de costas para Cerf.

Ele sorri, diz que não tem problema e que tentará falar pausadamente. Pega meu cartão e cita o pesquisador responsável por desenvolver o padrão Ethernet (é bem provável que você também o use para ler isto) simultaneamente ao TCP/IP, que depois assumiu o cargo de publisher na multinacional onde trabalho.

E começa a contar histórias. Com sua barba branca bem aparado e sua fala mansa, Cerf lembra muito bem um avô sem pressa ou, melhor, pressão nenhuma para lhe contar da maneira mais detalhada possível (e sem nenhum media training também) os assuntos que ali lhe parecem mais pertinentes.

Sua amizade com Bob Metcalfe quebra a tensão e, no meio da sua digressão sobre seu papel como evangelista sênior do Google pode ajudar a molecada mais nova que trabalha ali, ele percebe que está falando demais sobre assuntos que podem não ter nada a ver com a entrevista. Ele não pode atrasar.

Pergunto sobre o papel do ICANN dentro das discussões que acontecem no Internet Governance Forum, evento organizado pela Nações Unidas no luxuosos hotel carioca que, além de Cerf, reúne a diretoria do órgão e do CGI, responsável pela internet brasileira.

NO meio de respostas faladas apressadamente, Cerf engasga e pede ao assessor um copo d´água. Toma a água, enxuga a gargante e se desculpa. Falo que não tem problema, não vou transcrever a tosse na entrevista. Ele brinca, me pergunta como se soletra COOOOOFFFFF (como se soletra uma tosse, afinal?) e a conversa segue.

Pergunto sobre a desconfiança do papel do ICANN. Ele parece incomodado e me pergunta se eu assistir a todas as palestras. Respondo que não, seria humanamente impossível. Pergunta se assisti uma só sobre o ICANN. Não, perdi. Ele pensa um pouco, respira fundo e, com um olhar incisivo, afirma que há problemas muito mais urgentes do que se pensar em um novo órgão, como o ministro Mangabeira Unger clamou na abertura do evento.

A cinco minutos do fim, o assessor avisa. Pergunto sobre web semântica. Ele parece ressabiado, fala que Tim Berners Lee sabe melhor que ele e, surpreendentemente para alguém aparentemente tão inseguro, responde devagarinho o que me pareceu a melhor definição já ouvida sobre a tendência. O tempo acaba, o assessor se levanta e Cerf parece assustado quando lembra que tem outra entrevista pela frente. Se despede cordialmente.

Na saída, cruzamos com outra equipe de filmagem. São 9h30. Sem atrasos.

*

Quase 12 horas depois, estou sentado no mesmo saguão onde meu dia começou esperando para entrevistar uma fonte de internet que, após participar de uma mesa de debate, se atrasou. Mesmo que o evento se encerre oficialmente no começo da tarde do dia seguinte, o clima geral é de descontração – para a maioria, será a última noite no Rio.

Há vários grupos espalhados pelo lobby e o apertado bar com parede acarpetadas ali do lado parece não comportar a quantidade de executivos que buscam uma cerveja. Mulheres arrumadas, homens de bermuda e pochete e até uma noiva desfilam pelo saguão.

É daí que aparece Cerf de novo. Não houve uma ocasião que não o tivesse visto no IGF que não estivesse escoltado por uma série de homens engravatados – possivelmente conhecidos ou admiradores. Ele bem apressado, passa pelo bar fazendo cumprimentos leves com a cabeça e se reúne com outros grupo maior. Já perto da porta, onde está minha poltrona, vira-se para o lado esquerdo, me vê e faz, com um sorriso tímido no rosto, um sinal de pistola com o dedo da mão direita. Até agora não entendi o que foi aquilo.

marcelo tas. a descoberta, relatada no blog do sérgio amadeu, foi do próprio tas.

mas a tal descoberta não é algo tão pontual. evidente que é dificílimo apontar o real primeiro usuário da web no brasil. sabe-se que a primeira conexão foi testemunhada por um grupo de pesquisadores, entre os quais demi getschko, o tal pai da internet brasileira.

quem garante que não havia algum civil lá? de qualquer modo, o fato do tas ter sido um dos primeiros é (outra) prova do entusiasmo do rapaz.

camiseta das redes sociais

8 novembro 2007

social1_camiseta
social5_camiseta
Nerd fashion demais. Valeu, Junior.

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