a Nissan faz a perigosa mistura de publicidade e conteúdo

24 março 2007

A premissa de Dante Calligaris sobre a Web 2.0 brasileira, de tão verdade, vai se transformando numa situação deconfortável, senão irresponsável.

A montadora Nissan montou uma nova campanha para vender o novo sedã Setra. A campanha, bolada pela agência TBWA, envolve a criação de uma banda ficcional, a “The Uncles”.

A tal banda conta com site (muito bem feito), onde músicas ouvidas por ouvidos mais treinados detectam um profissionalismo nada digno de quem volta à estrada depois de décadas separados.

A TBWA também preparou entrevistas ficcionais no YouTube com a banda explicando o porquê da volta. Inserções foram feitas também em blogs de entretenimento de amplo alcance, como KibeLoco e Jacaré Baguela – se foram pagos ou não, não se sabe.

A campanha seguia seu tradicional caminho da agência grande que tenta fincar a marca na cabeça do usuário por um viral até que um verbete sobre o The Uncles (já fora do ar) foi criado na Wikipedia.

O erro da TBWA é confundir uma ação esclerecidamente de marketing com conteúdo didático – quem entra na Wikipedia, que permite edições de qualquer usuário, pode realmente acreditar que o material é verdadeiro.

Pode soar perigoso generalizações, mas não chega a ser ficcional afirmar que o departamento de marketing encara divulgações online sem qualquer cuidado (ética também seria uma boa palavra aqui).

Marketing é marketing. Mesmo se avisasse sobre a não-veracidade das informações, o que a TBWA estaria fazendo ainda seria errado e, infelizmente, exemplifica novamente a falta de critério que alguns setores da propaganda online brasileira têm com a Web 2.0.

De novo, para alegria de quem se desgosta com a TBWA (e eu levanto a mão nesta) a comunidade mostra sua inteligência coletiva – o artigo foi votado para ser limado da enciclopédia online.

Em tempo: na apuração, votei pela eliminação, mas um outro usuário desclassificou meu voto por falta de edições. Novo que sou neste lance de Wikipedia, descobri que votos são válidos apenas para quem está acostumado a contribuir. Muito válido.

Ao contrário de outros usuários que desfilam seus méritos na comunidade (e não encare isto como uma crítica), André Koehne usa seu perfil para denunciar a permanência, em votação semelhante, do artigo explicando o “Movimento Pró-Pedofilia”.

Não, não é brincadeira.

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2 Responses to “a Nissan faz a perigosa mistura de publicidade e conteúdo”


  1. Realmente essa jogada da Nissan foi perigosa. Na moda dos virais, o marketing das empresas estão fazendo de tudo pra criar o hit do momento. Ainda bem que existe a sabedoria das multidões e tudo isso é auto-regulável.


  2. […] mesmo a Nissan, em sua perigosa campanha da suposta volta da banda “The Uncles” para vender o sedã Setra, recorreu à blogosfera (seria irresponsabilidade dizer se por pagamento […]


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